quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Tratamento endodôntico de 2º molar superior com curvatura e quatro canais.

O preparo químico-cirúrgico tem como objetivo a modelagem e a sanificação, valendo-se de instrumentos endodônticos e substâncias químicas auxiliares da instrumentação, atuando no sistema de canais radiculares, estrutura orgânica e inorgânica, proporcionando limpeza e desinfecção do espaço anteriormente ocupado pela polpa, como também, conformação cônica contínua, com maior diâmetro cervical e menor apical, mantendo o forame na forma e posição originais, facilitando a realização da obturação hermética e tridimensional (SHILDER, 1974).
A complexidade da anatomia interna (PINEDA, VERTUCCI, WEINE, HESS, BRAMANTE) e a distribuição dos microrganismos (SHOVELTON) constituem um dos maiores desafios da Endodontia, principalmente quando relacionados aos canais curvos.
Não obstante, concrescências, anfractuosidades e atresias normalmente fazem parte das peculiaridades dos molares, principalmente os curvos (SCHNEIDER).
Entretanto, o franco acesso do instrumento à zona crítica apical e o preparo do canal é um procedimento recoberto de dificuldades, que na maioria das vezes, resultam em acidentes, entre outros, desgastes excessivos na zona de perigo, com ou sem perfuração (ABOU-RASS), forma de ampulheta no canal, com menor diâmetro na porção média do canal (BUCHANAN), degraus, desvio apical durante o preparo com ou sem perfuração (AL-OMARI; SOUTHARD), além da possibilidade de fratura dos instrumentos, devido às tensões proporcionadas pelas curvaturas, como também, o diâmetro, desenho da ponta, flexibilidade do instrumento e a técnica de instrumentação utilizada, variações da dureza dentinária e obstruções do canal por meio de raspas de dentina e conseqüentemente perda do comprimento de trabalho, sinalizam o insucesso da terapia endodôntica.
Muitos pesquisadores desenvolveram, nas duas últimas décadas, variações técnicas nos preparos dos canais radiculares curvos a partir das considerações anatômicas e suas repercussões supracitadas, com especial atenção à técnica do preparo cervical (MARSHALL; PAIVA; LOPES).
O preparo cervical pode ser definido pela ampliação do diâmetro na entrada e terço cervical do canal, criando acesso retilíneo aos terços médio e apical, proporcionando um desgaste anticurvatura, direcionado às zonas volumosas ou zonas de segurança. Consiste numa alternativa para superar a influência da curvatura apical, a partir do desgaste compensatório.
É proposição dos autores apresentar uma técnica simplificada para o preparo de canais curvos, utilizando técnicas capazes de contornar problemas relativos à presença de curvaturas e dificuldades inerentes. (In:TÉCNICA SIMPLIFICADA PARA O PREPARO DE CANAIS CURVOS)
Histórico: Homem, 36 anos. Chegou com indicação protética para o tratamento endodontico. Radiograficamente: Foi observada na radiografia restauração MOD e uma curvatura acentuada na raiz  MV do elemento 17.
Tratamento Proposto: Tratamento endodontico em sessão única.

Instrumentação rotatória: Limas Easy Pró-designe. Biomecânica Final: lima flexofile 35 (MV/DV/MP) 40(P).
Solução de hipoclorito a 5,25%.


Técnica de obturação: Técnica de condensação vertical aquecida ( Schilder 1967).
Cimento endodontico: Endofill (Dentsply)


quinta-feira, 10 de março de 2011

Uso de Ultrassom para remoção de nódulos pulpares durante o tratamento endodontico


Cálculos pulpares ou dentículos: são massas calcificadas nodulares, que aparecem nas porções coronárias ou radiculares da polpa, ou em ambas. Muitas vezes se desenvolvem em dentes que parecem normais em outros aspectos. Também podem ser encontrados em dentes inclusos.
Calcificações no interior da polpa não são incomuns, embora sua freqüência seja difícil de determinar. Encontra-se um número elevado de calcificações pulpares em dentes de indivíduos idosos e naqueles que foram expostos à cárie ou trauma. Nos casos de calcificação distrófica (calcificação relacionada com áreas que sofreram agressões e que apresentam estágios avançados de lesões celulares irreversíveis ou já necrosados), alguns fatores podem ser responsáveis pela formação inicial dos núcleos de calcificação. Os mais bem estudados são:
  1. Fosfatase alcalina: Comumente observada nos processos normais de calcificação.Nos tecidos lesados é aumentada a sua liberação, o que facilita a formação de fosfato de cálcio.
  2. Alcalinidade: nos tecidos necrosados, a alcalinidade está aumentada, provocando uma diminuição da solubilidade do carbonato de cálcio. Este, agora menos solúvel, precipita-se mais facilmente.
  3. Presença de proteínas extracelulares: acredita-se que algumas proteínas, como o colágeno, possuem afinidade pelos íons cálcio, principalmente nos processos normais de calcificação. Em tecidos necrosados, essas proteínas podem estar "descobertas", mais livres para associação com o cálcio, estimulando a deposição destes sobre essa matriz protéica.
Sendo comum em áreas necrosadas, portanto sem função, a calcificação distrófica não traz maiores conseqüências para o local. É, antes de tudo, um sinal da existência de uma lesão prévia.
CLASSIFICAÇÃO:
Há três tipos de calcificações pulpares: dentículos verdadeiros, falsos dentículos e calcificações lineares difusas.
Os dentículos verdadeiros correspondem à formação de dentina na polpa, eles são formados como resultado de uma interação epitélio-mesênquimal durante o desenvolvimento da polpa, filamentos epiteliais originados da bainha epitelial radicular de Hertwig ou extensões cervicais para o interior da câmara pulpar adjacente as furcas, induzem a diferenciação odontoblástica da papila mesenquimal adjacente, formando o centro do dentículo, os odontoblastos depositam dentina tubular conforme se afastam do epitélio central e produzem estruturas com a forma de dedos ao redor do epitélio, isto ocorre devido ao deslocamento de grupos de odontoblastos durante a dentinogênese.
Considera-se que os falsos dentículos são deposições de cálcio em círculos concêntricos que se formam geralmente iniciada por uma minúscula região de ph ácido, eles se desenvolvem ao redor de um ninho central de tecido pulpar (fibras colágenas, substância fundamental ou células necróticas). A calcificação inicia-se em torno da porção central e se estende para fora, em um padrão concêntrico ou radial de material calcificado regular. A maioria dos cálculos pulpares desenvolvem-se após a formação completa do dente e usualmente ficam livres ou aderidos à estrutura dentinária. Em raras exceções, os cálculos podem estar embutidos. Estes cálculos pulpares podem eventualmente ocupar porções consideráveis da câmara pulpar.
As calcificações lineares difusas não apresentam a organização lamelar dos cálculos pulpares. Mostram-se como áreas de calcificação irregular, fibrilar e fina, que freqüentemente são paralelas a vasos. São amorfos, não possuindo estrutura específica e geralmente ocorrem como conseqüência final de uma degeneração hialina do tecido pulpar. Tais calcificações podem estar presentes na câmara pulpar ou nos canais radiculares, e sua freqüência aumenta com a idade. Essa calcificação pressupõe uma invasão bacteriana e é o estágio inicial de uma necrose pulpar.
Os dentículos e cálculos pulpares podem atingir um tamanho considerável, sendo detectados em radiografias intra-orais como uma área radiopaca no interior da câmara pulpar ou dos canais radiculares. As calcificações lineares difusas normalmente não são detectadas ao exame radiográfico.
Quanto à localização: os cálculos pulpares são classificados de acordo com a sua localização em relação à parede dentinária circundante em:

·         Cálculos livres: são aqueles totalmente cercados por tecido conjuntivo pulpar.
·         Cálculos aderentes ou inseridos: parcialmente fusionados com a dentina.
·         Cálculos inclusos ou incluídos: totalmente cercados por dentina. Todos se originam livres na polpa e vão se tornando aderentes ou inclusos, conforme avança a formação de dentina.
Clinicamente, a presença destas calcificações no tecido pulpar pode levar a complicações irreversíveis, ou ate mesmo à extração do dente.
Abaixo duas figuras exibindo a presença de cálculos pulpares indicados pelas setas pretas e brancas, respectivamente: 

 Calcificação distrófica (setas) na polpa dentária.dentina (D) (HE, 200X)
 
Caso Clínico:

Histórico: Mulher, 56 anos. Chegou ao consultório relatando dor espontânea e pulsátil.

Radiograficamente: Observava uma imagem radiopaca, indicativa de restauração no elemento 26, muito próximo a câmara pulpar, sem alteração visível na região periapical. Foi inicialmente identificada uma alteração anatômica na camara pulpar.
Hipótese Diagnóstica: Pulpite Irreversível.

Tratamento proposto: Tratamento endodôntico em sessão única.
 
Uso do ultrassom Jet Sonic (Gnatus) com inserto ET20. Para remoção dos nódulos pulpares, juntamente com o uso de uma sonda exploradora reta (ODUS)
Uso de localizador apical, Root Zx II (J Morita).

Instrumentação Rotatória: Motor X-Mart (Dentsply), sistema de limas Easy Pró-Design.
Instrumentação manual final: Biomecânica lima 40 Distal, 35 Mesiais.
Solução de hipoclorito a 5,25%.

Técnica de Obturação: Híbrida de Tagger com cimento endodontico Endofill (Dentsply).
 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O preparo do terço cervical e sua importancia na pratica diária da endodontia

Acredito que muitos de vocês já tiveram dificuldades para instrumentar canais atrésicos, aqueles em que a penetração do primeiro instrumento já é difícil. Não são canais com configuração anatômica normal, aquilo que aprendemos a ver e gostar de tratar, o canal cônico, de fácil acesso. Não, eles aparecem na radiografia como uma linha, uma fita.
Qual é a grande dificuldade? Um instrumento que durante todo o tempo trabalha com fortes interferências em todo o trajeto do canal sofre um maior desgaste, portanto maior risco de fratura, apresenta um maior potencial de alterações na anatomia, particularmente no caso de canais curvos (degraus, desvios), maior possibilidade de entulhamento de raspas de dentina, etc.
O avanço da Endodontia tem permitido a criação de novos instrumentos e novas técnicas de instrumentação. Hoje, não só para esses canais como para os demais, o “grande segredo” é o preparo cervical. Parece haver consenso de que todos os canais devem passar pelo preparo cervical prévio ao preparo do terço apical.
Dos três segmentos do canal, cervical, médio e apical, qual é o mais importante? Está em dúvida ou já respondeu? Vamos lá.
Onde é que mais ocorre fratura dos instrumentos? Onde é mais difícil irrigar bem? Onde é mais difícil preencher bem com a medicação intracanal? Onde é mais difícil fazer uma boa obturação? Se eu disser que a resposta para essas questões é o terço apical estou muito longe de acertar?
Por que o preparo cervical é tão importante? Porque diminui de forma significativa algumas dificuldades e possibilidades de erros. Em termos de modelagem, o objetivo fundamental do preparo cervical é facilitar o preparo do terço apical. Quando se fala de preparo cervical, vêm à mente as técnicas coroa-ápice. Assim, na verdade, é o preparo dos terços cervical e médio.
São inúmeras as vantagens desse tipo de instrumentação, uma delas essa de facilitar o preparo do terço apical. É claro que quando se alarga (faço questão de usar essa palavra neste momento) os terços cervical e médio, a instrumentação das porções finais do canal fica mais fácil e segura para o profissional. Desde já, entretanto, que fique bem claro, tornar mais fácil não quer dizer tornar fácil.
Agora, vamos lá. Você tem dificuldade para penetrar e instrumentar o terço apical de um incisivo central superior em condições normais? É provável que não, confere? Por que? Porque todo o canal é praticamente reto e amplo. Sendo amplo, não oferece dificuldades, concorda comigo? Tendo em vista que naturalmente já são amplos, será que você precisa alargar mais ainda os terços cervical e médio para penetrar e instrumentar o terço apical?
Quantos canais apresentam características semelhantes, ou seja, de não oferecerem maiores dificuldades à sua penetração? Posso dizer inúmeros? Nesses casos, você vai alargar mais ainda para penetrar neles? Vai usar instrumentos com conicidade acentuada (ou devo dizer taper? porque soa melhor, afinal, falar em inglês mostra os nossos conhecimentos) porque o canal comporta? Está certo, comporta, mas tenho uma pergunta bem simples para lhe fazer. Precisa?
Preciso fazer isso naquele canal sobre o qual conversamos aí em cima, atrésico, curvo, difícil de penetrar, uma linha, uma fita. Por que? Porque torna mais fácil aquilo que é muito difícil nesses canais: instrumentar o terço apical. Mas, no incisivo central superior!!!
Sim, tudo bem, não precisa, mas também por que não fazer? Por uma razão bem simples. Existe uma coisa chamada proporcionalidade. Observe que os canais são cônicos, isto é, mais amplos no terço cervical, depois médio e finalmente apical, e esse afunilamento é tão sutil que não se percebem mudanças bruscas de volume de um segmento para o outro. Por que? Porque assim são as raízes. Há uma proporcionalidade entre a luz do canal e as paredes da dentina radicular (volume de um e espessura do outro). O que ocorre quando se alarga demais o canal? As paredes radiculares ficam finas, com pouca espessura, altera-se a proporcionalidade. Resultado: maior risco de fratura. Você já reparou a quantidade de dentes fraturados com pinos largos? Isso se devia à Prótese, mas hoje também não terá a ver com a Endodontia? Não percebemos porque não conseguimos (ou não queremos?) associar uma coisa à outra, mas trabalhos já mostram preocupação com isso.
Fisiologicamente (com o decorrer dos anos) pela deposição de dentina secundária, ou patologicamente (processo acelerado pelas constantes agressões, cáries/restaurações/recidivas, doenças periodontais/cirurgias), pela deposição de dentina reparadora, a luz do canal diminui acentuadamente. Para o tratamento desses canais, o preparo cervical promove um maior alargamento para “recriar” o espaço anatômico original, uma vez que este permitirá maior facilidade com o segmento apical. Quando isso é feito não se está alterando a proporção entre canal e parede dentinária, pelo contrário, “recupera-se” a original.
No canal naturalmente acessível, simplesmente alargar para obedecer a regras pre-estabelecidas, ao modismo de conceitos e instrumentos “modernos”, alargar por alargar, não parece muito sensato. O preparo do canal é bem feito quando o alargamento, um processo natural, consequência da instrumentação, respeita todos os aspectos, particularmente o anatômico, onde se inclui a proporcionalidade. Talvez seja mais o que deve e não o que pode ser feito. (Endodontia Clínica - Prof. Ronaldo Sousa)

Histórico: Homem, 46 anos. Chegou ao consultório relatando fratura da restauração do elemento 37, preenchida no posto de saúde com cimento provisório. Ao exame clínico, observou  a restauração provisória,na face oclusal.
Radiograficamente: Foi observada na radiografia area radiopaca na coroa e uma curvatura na raiz mesial do elemento 37, e uma calcificação, devido a uma minima visualização da luz do canal.
Tratamento Proposto: Tratamento endodontico em sessão única.

Preparo cervical com broca de gates-gliden: 4, 3, 2 e 1.

Instrumentação rotatória: Limas Easy Pró-designe 20/07. Biomecânica Final: lima flexofile 35 Mesial e 40 Distal.
Solução de hipoclorito a 5,25%.
 
Técnica de obturação: Técnica de condensação Híbrida de Tagger com cimento endodontico Endofill (Dentsply).
 Restauração provisória com Cimento de Ionomero de Vidro.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Retratamento endodontico, reparo de tecido peripical.

O processo de reparo dos tecidos perirradiculares, após o tratamento endodôntico, pode sofrer a influência de diversos fatores gerais ou locais. Os fatores gerais envolvem elementos relacionados à idade, distúrbios metabólicos, nutricionais e presença de doenças infecciosas. Os fatores locais, considerados de maior relevância que os anteriores, estão relacionados à presença de infecção pulpar e de inflamação no periápice, existência de anormalidades anatômicas radiculares e fatores oriundos do próprio tratamento endodôntico.

A evolução do processo de reparo varia de acordo com o tipo de periapicopatia, apresentando caráter granulomatoso ou cístico.

Nos dentes não portadores de granulomas ou cistos, o processo de reparo evolui da seguinte forma: a presença de reação inflamatória na região periapical amplia o processo de reabsorção óssea e cementária, resultando na destruição das fibras colágenas apicais e perda de inserção. O processo inflamatório, de modo geral, regride após o tratamento endodôntico, restabelecendo as condições para a neoformação de cemento, de tecido ósseo e para regeneração do ligamento apical. Em nível do forame apical e junto ao material obturador, forma-se tecido conjuntivo fibroso ou tecido mineralizado (semelhante ao cemento).

Na presença de lesões apicais tipo granuloma ou cisto, o processo de reparo evolui mais lentamente, através da substituição gradual do tecido granulomatoso por tecido fibroso. Nas lesões císticas de origem inflamatória dental, ocorre a reparação apenas com o tratamento endodôntico, não sendo necessária a cirurgia perirradicular complementar. (Felipe Davini)

Caso Clínico:

Histórico: Mulher, 39 anos. Chegou ao consultório com uma fístula na altura do elemento 22, sem sintomatologia dolorosa.
Radiograficamente: Foi observado, um tratamento endodontico prévio insatisfatório e uma imagem radiolúcida, na região periapical do elemento 22.


Tratamento Proposto: Retratamento endodontico com trocas bimestrais de Hidróxido de Calcio.
Após 2 meses de Ca(OH)² +PMCC+Iodoformio
Após 4 meses de Ca(OH)² +PMCC+Iodoformio
Após 6 meses de Ca(OH)² +PMCC+Iodoformio
Após 8 meses de Ca(OH)² +PMCC+Iodoformio
 Instrumentação rotatória: Desobturação com limas protaper: D1, D2, D3. Reinstrumentação: Limas protaper. Biomecânica Final: lima k 60.
Solução de hipoclorito a 5,25%.
Técnica de obturação: Técnica de condensação Híbrida de Tagger com cimento endodontico Endofill (Dentsply).
8 Meses depois do início do tratamento endodontico.

Após 13 meses do início do tratamento e 4 meses após a obturação.
                                                Raio-x Inicial                 Raio-x de proservação 13 meses.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tratamento endodôntico de pré-molar inferior com curvatura grau 3.

O preparo químico-cirúrgico tem como objetivo a modelagem e a sanificação, valendo-se de instrumentos endodônticos e substâncias químicas auxiliares da instrumentação, atuando no sistema de canais radiculares, estrutura orgânica e inorgânica, proporcionando limpeza e desinfecção do espaço anteriormente ocupado pela polpa, como também, conformação cônica contínua, com maior diâmetro cervical e menor apical, mantendo o forame na forma e posição originais, facilitando a realização da obturação hermética e tridimensional (SHILDER, 1974).
A complexidade da anatomia interna (PINEDA, VERTUCCI, WEINE, HESS, BRAMANTE) e a distribuição dos microrganismos (SHOVELTON) constituem um dos maiores desafios da Endodontia, principalmente quando relacionados aos canais curvos.
Não obstante, concrescências, anfractuosidades e atresias normalmente fazem parte das peculiaridades dos molares, principalmente os curvos (SCHNEIDER).
Entretanto, o franco acesso do instrumento à zona crítica apical e o preparo do canal é um procedimento recoberto de dificuldades, que na maioria das vezes, resultam em acidentes, entre outros, desgastes excessivos na zona de perigo, com ou sem perfuração (ABOU-RASS), forma de ampulheta no canal, com menor diâmetro na porção média do canal (BUCHANAN), degraus, desvio apical durante o preparo com ou sem perfuração (AL-OMARI; SOUTHARD), além da possibilidade de fratura dos instrumentos, devido às tensões proporcionadas pelas curvaturas, como também, o diâmetro, desenho da ponta, flexibilidade do instrumento e a técnica de instrumentação utilizada, variações da dureza dentinária e obstruções do canal por meio de raspas de dentina e conseqüentemente perda do comprimento de trabalho, sinalizam o insucesso da terapia endodôntica.
Muitos pesquisadores desenvolveram, nas duas últimas décadas, variações técnicas nos preparos dos canais radiculares curvos a partir das considerações anatômicas e suas repercussões supracitadas, com especial atenção à técnica do preparo cervical (MARSHALL; PAIVA; LOPES).
O preparo cervical pode ser definido pela ampliação do diâmetro na entrada e terço cervical do canal, criando acesso retilíneo aos terços médio e apical, proporcionando um desgaste anticurvatura, direcionado às zonas volumosas ou zonas de segurança. Consiste numa alternativa para superar a influência da curvatura apical, a partir do desgaste compensatório.
É proposição dos autores apresentar uma técnica simplificada para o preparo de canais curvos, utilizando técnicas capazes de contornar problemas relativos à presença de curvaturas e dificuldades inerentes. (In:TÉCNICA SIMPLIFICADA PARA O PREPARO DE CANAIS CURVOS)


Caso Clínico:

Histórico: Homem, 52 anos. Chegou ao consultório com dor, relatando possivel fratura do elemento 35. Ao exame clínico, observou uma fratura vertical da coroa, em bisel, envolvendo a coroa do meio até a vestibular no sentido vestibulo lingual. Observou-se a exposição da polpa coronária.
Radiograficamente: Foi observada na radiografia area radiolúcida na coroa e uma curvatura acentuada na raiz do elemento 35, na região do terço médio.
Tratamento Proposto: Tratamento endodontico em sessão única.

  
Instrumentação rotatória: Limas Easy Pró-designe 20/03. Biomecânica Final: lima flexofile 25.
Solução de hipoclorito a 5,25%.

Fratura do instrumento manual 15 antes da obturação.

Técnica de obturação: Técnica de condensação vertical aquecida ( Schilder 1967).
Cimento endodontico: Endofill (Dentsply)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ápice anatômico X Ápice Radiográfico

Uma das discussões mais pertinentes no tratamento do canal radicular é qual a distância ideal entre a ponta do instrumento e o ápice dentário. No tocante à extensão dos canais radiculares,a precisa exploração e odontometria constituem o alicerce de todas as etapas operatórias subseqüentes do tratamento endodôntico.
Embora nesta fase vários pontos da coroa dentária possam ser utilizados como referencial oclusal, o mesmo não se pode dizer do referencial apical, que deve ser único e exato, o forame apical. Este é o principal referencial anatômico determinante do limite apical de limpeza, modelagem e obturação dos canais radiculares, o qual mantém forte correlação com o sucesso clínico, radiográfico e histológico do tratamento endodôntico.
Estudos demonstram que o terço apical apresenta as maiores complicações anatômicas, a exemplo de curvaturas e atresias, salientando-se também a variável posição do forame principal, em relação ao ápice radicular. Na clínica endodôntica, o exame radiográfico periapical oferece uma posição imprecisa do instrumento endodôntico em relação ao forame, embora seja o recurso rotineiramente utilizado, e até então,
insubstituível.
A constrição apical é frequentemente descrita como o ponto a que deve estender a obturação do canal radicular. Ponce e Fernandez (2003) avaliaram histologicamente a localização da junção cemento-dentinária e o diâmetro do forame apical do canal radicular em dentes anteriores superiores. Os resultados mostraram que a junção cemento-dentinária é simplesmente o ponto no qual convergem dois tecidos no interior do canal radicular, e que é suscetível a modificações dependendo de cada situação clínica particular e sobre as extensões diferentes do cemento no canal radicular. A constrição apical e o forame apical não são confiáveis marcos anatômicos para o comprimento de obturação apical no final, e seu uso para calcular o comprimento
de obturação pode resultar em danos aos tecidos periapicais.
O limite de obturação poderia afetar o sucesso do tratamento endodôntico, embora os prognósticos sejam piores quando há sobreobturação ou subobturação significativa. (In: Discrepância entre método convencional de odontometria com referência padrão)

Caso Clínico:

Histórico: Homem, 25 anos. Chegou a clínica integrada da FO, UFG, para reabilitação do elemento 44.

Radiograficamente: Após o preparo, proximidade com o tecido pulpar.


Hipotese diagnóstica: Nenhuma patologia, tratamento por indicação protética
Tratamento: Biopulpectomia, em sessão única.
 Em detalhe a posição do ápice anatômico, com o trajeto da lima.
Instrumentação manual final: Biomecânica lima 40.  olução de hipoclorito a 1%.
 Técnica de Obturação: Condensação lateral e vertical

Em detalhe, a posição do limite da obturação dando margem a interpretação equivocada, de possível desvio e ou limite aquém do ápice radiográfico.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Calcificação do canal radicular

O tratamento endodôntico convencional se torna dicícil devido a várias anomalias congênitas ou adquiridas. As calcificações podem ser didaticamente divididas em verdadeiras e falsas. As primeiras são resultados da ação dos odontoblastos, que por algum estímulo, passam a depositar dentina, diminuindo ou modificando a forma e o volume da cavidade pulpar. Dentre os estímulos podemos citar a presença de cárie, abrasões e atrições, bruxismo e a ocorrência de traumatismos dentais. Neste último caso, pode-se verificar que a luz do canal pode apresentar-se totalmente obliterada na imagem radiográfica É importante salientar que dificilmente esta calcificação é completa, pois como vimos, ela é fruto da ação de odontoblastos, então deve existir pelo menos o espaço ocupado por ele. Isto explica por que em alguns casos, não visualizamos radiograficamente a luz do canal radicular mas o dente apresenta lesão apical. O que acontece, via de regra, é que a luz do canal é tão estreita que o nosso menor instrumento é muito volumoso para acessá-lo. A chamada calcificação falsa é resultado da deposição de sais de cálcio em áreas de microabscessos intra-pulpares. Formam-se verdadeiros nódulos no interior do conduto, que podem dar a impressão de que este está totalmente obliterado. Denominamos de falsos nódulos, pois eles não estão aderidos às paredes dentinárias. Estes nódulos estão relacionados à processos crônicos como patologias periapicais, cáries crônicas e até mesmo alterações vasculares sistêmicas, como por exemplo arteriosclerose.(IN:ENDONLINE)
Caso Clínico:

Histórico: Mulher, 69 anos. Chegou ao consultório encaminhado para fazer o tratamento endodotico do elemento 24. Relatava dor e não tinha nenhuma alteração clinica visível. O teste de vitalidade pulpar positivo, com resposta exacerbada.

Radiograficamente: Observou um preparo para protese fixa em dente vital.

Tratamento proposto: Biopulpectomia

Instrumentação manual final: Biomecânica lima 40, Vestibular, 40, Palatino.
Solução de hipoclorito a 5,25%.
 Técnica de Obturação: Condensação lateral e vertical